Presente

Pero a vida transcorre así, sen preguntas

repetindo os acenos,

conservando a luz na retina

e os obxectos no faiado.

 – A peneda

Daniel Salgado

 

A vida, quando menos a humana, está a desaparecer nas aldeias. O presente está marcado por um continuo e progressivo declive. A vida transcorre repetindo os acenos do passado caminho da extinçom.

As estratégias de desenvolvimento rural nunca forom capazes de promover tal desenvolvimento. No máximo, apenas conseguirom reduzir ritmo do despovoamento. No Mapa dos lugares desabitados de Carlos Neira Cortizas podem-se consultar mais de 3.000 lugares sem habitantes, mas o certo é que ainda existem moitos mais.

Entre as medidas para desenvolver o rural, o turismo é um dos principais. Um modelo que aposta nos lugares como parques temáticos: a aldeia convertida em espaço de visita baleiro de contido, o agro como experiência turística para os sentidos. O rural muda em museu que visitar umha fim de semana, mas sem audioguias que expliquem a história nem o contexto do seu abandono.

A energia também é outra das actividades protagonistas do desenvolvimento do rural: minaria, biomasa, centrais hidroeléctricas e parques eólicos; algumhas das ferramentas para produzirem energia no rural. Mas umha energia que vai embora, que nom comparte os benefícios que tira da Terra onde nasce com a povoaçom que habita nela. Nesta Terra apenas ficam migalhas e contaminaçom. As aldeias som resíduos e os seus habitantes nada mais que desperdícios.

Turismo e energia; ténues remédios que pouco ou nada freiam o despovoamento e o abandono. Estratégias fracassadas; desenvolvimento que nom desenvolve.

Oportunidades perdidas para difundir o valor do património e da paisagem: dos rios, dos carvalhos e dos prados brilhantes. Para dar a conhecer a cultura que nos fala de antes e conforma a nossa identidade.

Se neste presente nom conhecemos o passado, dificilmente poderemos reverter um futuro vadio.

 

Campos fríos, páramos, gándaras,

terra erma e bosque escuro,

humidades pegadas aos carballos,

casas baleiras, prados brillantes,

unha tonalidade entre verde e gris

que nos fala de antes e domina os ollos.

 

– Vilance. Variación sobre un tema de José Emilio Pacheco –

Daniel Salgado

 

 

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